espiral: da sensibilidade, conhecimento, liberdade

aprender com a cidade, aprender na cidade DOCENTE RESPONSÁVEL percurso

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Pesquisa - pesquisas
Escrito por Euler Sandeville Jr.   
Dom, 28 de Fevereiro de 2010 02:34

"“O meu conceito de arquitetura está na união e colaboração das artes, de modo que cada coisa esteja subordinada às outras e com essas em plena harmonia e, quando uso essa palavra, esse será o significado, não um mais restrito. É uma concepção ampla, porque abraça o inteiro ambiente da vida humana: não podemos nos subtrair da arquitetura enquanto somos parte da civilização, pois que representa o conjunto de modificações sobre a superfície terrestre, em vista das necessidades humanas. Nem podemos confiar nossos interesses a uma elite de homens preparados, pedindo a eles que investiguem, descubram e criem o ambiente destinado a nos hospedar, para depois nos admirarmos perante a obra pronta, apreendendo-a como coisa acabada. Isso cabe a nós mesmos; a cada um de nós cabe empenhar-se no controle e na proteção da orientação justa da paisagem terrestre, cada um com seu espírito e suas mãos, na parte que lhe cabe, para evitar que deixemos a nossos filhos um tesouro menor do que aquele que nos foi deixado por nossos pais”

(Willian Morris, 1881, citado por MAGNOLI, Miranda Martinelli. Memorial de Titulação. São Paulo: FAU-USP, 1987)



Minha investigação é sobre as condições da cultura contemporânea no que se refere à produção do espaço público, sobretudo através do projeto e da gestão colaborativa e autônoma, sempre procurando uma perspectiva crítica de integração entre arte e ciência, entre história e contemporaneidade, entre conceituação e ação, entre natureza, ecologia e sociedade. O fio condutor é a preocupação de questionar as formas de uma racionalidade instrumental subordinada à noção atual de mercado, propondo como contraponto uma dimensão ética e criativa da apropriação do conhecimento para a transformação dos processos em curso. A dedicação a processos criativos e intensos de vivências na paisagem e de processos de criação artística em diversas linguagens, explorando aspectos da afetividade, da subjetividade e da colaboração em processos de criação, sempre foi uma experiência e um ânimo fundamental a meu processo intelectual de pesquisa e ensino.

Isso me levou, sobretudo durante a década de 80, a estudar aspectos da relação entre arte, paisagismo, arquitetura e o ambiente urbano em diferentes períodos históricos desde a renascença e, sobretudo, no século 20, como um fundamento necessário para a discussão dos espaços públicos contemporâneos e de aspectos para sua gestão. Essa atividade foi apoiada por atuação em órgãos públicos, desenvolvimento de projetos e como docente de Teoria e História da Arquitetura e de Projeto de Paisagismo, bem como com a complementação da graduação em Arquitetura e Urbanismo com graduação na área de Artes e depois o Mestrado em Estruturas Ambientais Urbanas e durante a década seguinte o Doutorado.

A partir dos anos 90 incorporei àqueles estudos a investigação de aspectos ecológicos e culturais no trato com a vegetação nativa brasileira, em especial no Estado de São Paulo. Isso me levou a cursar uma pós-graduação na área de Ecologia com a intenção de complementar a formação anterior. Com isso se pretendia aproximar da complexidade transdisciplinar de como entendemos as questões de paisagem e do ambiente. A perspectiva histórica foi uma dimensão determinante da compreensão dos problemas em questão e aponta para grandes mudanças de paradigmas nos próximos anos sobre a natureza e a própria humanidade, revelando uma tensão crescente entre ética, técnica, consumo, liberdade, identificação.

Na década atual, trata-se de produzir uma revisão dessa produção, entender e procurar um posicionamento crítico sobre essas mudanças e tensões em curso. O campo de atuação agrega à atividade de docência novas perspectivas de desenvolvimento cooperativo através da orientação sistemática de alunos de graduação e pós-graduação e de uma maior dedicação às pesquisas. Há uma tendência minha hoje, a par da revisão crítica desses referenciais, de centrar em duas abordagens que dão continuidade aos estudos anteriores, dando maior atenção às questões metodológicas e integração cooperativa de coletivos de pesquisa. Os aspectos de construção de uma visão crítica e ativa da cultura, a valorização de processos coletivos de criação, decisão e produção, o papel da arte e a transposição dos limites institucionais para a cidade como forma de aprendizado e partilha, colocam a partir da proposição da Espiral os seguintes pontos como norteadores de minhas buscas e inquietações:

  • a paisagem entendida como experiência partilhada social, cultural e existencialmente, e portanto uma herança e um patrimônio coletivo que vamos transformando com nossas ações
  • a cidade como processo de educação ativa e construção de conhecimentos e práticas coletivas, que abrigam as possibilidades de realização e sonho do habitar o nosso mundo, o nosso tempo
  • a memória e a história como constituintes ativas do mundo em transformação, e portanto, criativas
  • a arte como experiência e descoberta, densidade subjetiva, afetividade e celebração

 

A partir de 2009, há duas pesquisas em andamento, vinculadas a dois grupos de pesquisa, que expressam essas preocuações e sínteses a partir da referência da Espiral da Sensibilidade e do Conhecimento (2002):


  • PAISAGEM, CULTURA E PARTICIPAÇÃO SOCIAL
  • REPRESENTAÇÕES DA NATUREZA E DA CIDADE NO BRASIL (ARTE, PAISAGEM, HISTÓRIA)

 

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Última atualização em Ter, 09 de Março de 2010 13:45
 

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