PAISAGEM, CULTURA E PARTICIPAÇÃO
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AÇÕES EDUCATIVAS
ARTE, NATUREZA E PAISAGEM
espiral: da sensibilidade, conhecimento, liberdade
| PAISAGEM, CULTURA E PARTICIPAÇÃO SOCIAL |
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| Grupos e Pesquisa e Estudo - grupos de pesquisa |
| Escrito por Euler Sandeville Jr. |
| Dom, 28 de Fevereiro de 2010 01:16 |
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PAISAGEM, CULTURA E PARTICIPAÇÃO SOCIAL
Promove desde 2003 atividades de pesquisa, ensino e extensão interdisciplinares com participação de arquitetos, geógrafos, biólogos, educadores, cientistas sociais e outros profissionais, direcionados à compreensão, apropriação e transformação do espaço, através de processos colaborativos, participativos e de gestão partilhada. Desenvolve estudos e ações no âmbito artístico-cultural e do ensino voltados para a compreensão dos processos de produção do espaço, dos instrumentos de sua transformação e da dimensão afetiva e criativa na relação e valoração do espaço vivido. Em uma frase: espera-se aprender em ação com outros parceiros. Trata-se contribuir na construção de processos auto-gestionados e independentes na transformação do ambiente, sobretudo a partir da ação no âmbito cultural e do aprendizado (educação) livre, propondo a educação como parte do habitar a paisagem. Trata-se, a partir da conceituação e prática educativa na cidade, repensar o ensino, formação e atuação de arquitetos para transformação partilhada e coletiva da paisagem e da cidade, e de pensar com os habitantes da cidade os meios de definir e construir o ambiente que se deseja, não como um exercício de futuro, mas como um exercício no presente. Fomentamos uma postura de produção de conhecimento livre e solidário, em construção colaborativa com parceiros externos à Universidade, ativos portanto no processo de construção desse conhecimento. Adota-se o conceito de paisagens como experiências partilhadas e socialmente constituídas, entendendo-se a experiência espacial como educativa e formadora. A abordagem considera contribuições dos estudos sistêmicos da paisagem, da compreenção da estrutura urbana como espaço social, mas prioriza a abordagem cultural da paisagem com aportes metodológicos advindos da antropologia, da história e da pedagogia libertária. Adotamos a partir de 2009 a Região Metropolitana de São Paulo como área prioritária dos estudos e seu entorno como área estendida de aplicação e interesse1.
referência bibliográfica do docente indicada para leitura inicial nessa linha de investigação
Adota-se a noção de paisagem como experiência partilhada socialmente construída (Sandeville Jr. 1986, inédito; 1999; 2004; 2004; 2004 inédito; 2005, 2006), reconhecendo suas tensões e contradições, evidenciando o drama humano que abriga em sua dimensão histórica, ecológica e cultural. Tal entendimento é base para estudos de paisagem que reconhecem a legitimidade das especificidades culturais e dos arranjos ou apropriações espaciais referentes a determinadas comunidades ou grupos sociais, sobretudo em condições de exclusão, alteridade e preconceito. Propomos entender a postulação dessa pesquisa lendo os termos que constroem seu título a partir das polarizações e tensões de três binômios possíveis: Paisagem e Cultura, Cultura e Participação, Paisagem e Participação, gerando muitos percursos complexos e possíveis, tanto no sentido de um movimento contínuo, não linear, que transforma e reorganiza todas as etapas a cada movimento, quanto no sentido da Espiral, tal como proposta neste portal. O binômio Paisagem e Cultura refere-se a uma abordagem cultural da paisagem, tal como proposto acima. Indo além, indica o caminho através do qual essa abordagem torna-se ativa na fase atual das pesquisas. Por um lado, através de processos colaborativos experimentais no âmbito da cultura, a partir de oficinas de sensibilidade e percepção que trazem a contribuição das artes para interpretação e valorização afetiva e crítica do ambiente. Por outro lado, através da educação livre, sobretudo com contribuições a partir da educação libertária, o binômio Paisagem e Cultura coloca a capacidade de integrar estudos do meio e a sensibilidade em processos de formação informais e processos de capacitação, na qual os conhecimentos disciplinares trazem contribuições importantes ao tempo em que são reconstruídos na experiência. Inicialmente, o binômio Cultura e Participação se fechava com uma polarização entre Cultura e Sociedade (o grupo denominou-se Paisagem, Cultura e Sociedade em uma primeira fase das pesquisas), de caráter teórico, revelando tensões conceituais no desenvolvimento das pesquisas enquanto produção partilhada de conhecimento, entre cotidiano e estrutura social, entre experiência e produção social, entre lugar e estrutura urbana. Embora não se pretenda superada essa questão, a experiência acumulada sugere aprofundar possibilidades abertas que apontam para um papel mais ativo da pesquisa. Na fase atual, com a expressão Participação Social aponta-se não apenas para a dimensão de participação popular em processos de decisão, mas também para um posicionamento participante no processo de conhecimento, valorizando as ações colaborativas e solidárias assumidas como constituintes da pesquisa. Um terceiro binômio se estabelece, relacionando Participação e Paisagem. Aponta-se para duas possibilidades. Primeiro, capacidade de ação transformadora2, do papel da cultura e da educação nos processos de transformação em curso, e da contribuição que arquitetos e outros profissionais podem trazer ao reconstruir solidariamente seus conhecimentos na prática social. Segundo, retoma-se na pesquisa o papel dos conhecimentos de planejamento e projeto na paisagem3, como capacidade interpretativa e propositiva perante e para o espaço humano. Saberes considerados de natureza técnica, que são efetivamente significados nos processos de apropriação social, de natureza política, cultural, com nexos econômicos na produção do espaço. Explicitam-se assim contradições e esperanças, reforçando a dimensão cognitiva do aprendizado em ação. Nota-se a importância e o peso que a educação, entendida sempre em sua forma mais abrangente, vai assumindo nas nossas pesquisas nos processos de interpretação e transformação da realidade, e portanto, da aprendizagem em processos propositivos. Em consequência, o partido corrente do ensino como simulação e do conhecimento como descrição da realidade deve ser redefinida a partir da experimentação ativa e da interferência na realidade a que se refere. Decorre que podemos propor a experiência da cidade como potência educativa para a liberdade, a realização, a solidariedade, a transformação, o amor, a construção partilhada em processos de aprendizagem e ação colaborativos que são vivenciais, ativos, responsáveis. Esta pesquisa deu origem em sua primeira fase (2003-2009) ao Grupo de Pesquisa Paisagem, Cultura e Sociedade, a partir de 2009 denominado PAISAGEM, CULTURA E PARTICIPAÇÃO SOCIAL, e reúne um núcleo de pesquisadores sob minha orientação. Deu origem também ao Laboratório Gestão e Projeto do Espaço (Euler Sandeville, Fabio Mariz, Clice Toledo, Nuno Fonseca, Eduardo Nobre, Mônica Junqueira). Em sua fase atual o laboratório foi reestruturação com os professores Euler Sandeville, Fabio Mariz, Clice Toledo e Raquel Rolnik, passando a chamar-se Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade - LAB CIDADE. Esse grupo de pesquisa abriga desde 2003 um conjunto de trabalhos docentes, de graduandos, pesquisadores e colaboradores, que pode ser conhecido através deste portal.
Veja no menu esquerdo, seção Pesquisas, a relação de PESQUISADORES integrantes deste grupo.
NOTAS 1. Teríamos como referência a Província Costeira, o Planalto Atlântico e Depressão Periférica, a fim de referenciar a chamada Macro Metrópole, a Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo e o contínuo da Floresta Ombrófila Densa e importantes enclaves de cerrado entre outras formações no conjunto de interesse chamado à discussão direta com a RMSP. 2. Direcionamento representado e desenvolvido no grupo de pesquisa na iniciação científica de Radoll, nos mestrados de Angileli, Silveira, Vieira, Moreno, Soares, Broering e nos doutorados de Machado e Valentini. 3. Direcionamento representado e desenvolvido no grupo de pesquisa nas iniciações científicas de Rüsche e Radoll, e nos mestrados de Paiva e Bernardi e, em parte, de Suguimoto |
| Última atualização em Sáb, 03 de Julho de 2010 07:11 |
"Tudo o que nos rodeia é objeto de observação. Os objetos que nos são mais familiares podem ser maravilhosos para nós; tudo depende da maneira de olhar. [Se é distraída, nos engana; se é penetrante e refletida, aproxima-nos da verdade]" (Denis Diderot, 1746) |
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